SAMUEL DE MATTOS - PSTU - GOVERNADOR
SAMUEL DE MATTOS é candidato(a) a Governador pelo PSTU em Paraná (PR) nas Eleições 2026.
SAMUEL DE MATTOS FIGUEIREDO
Espectro político
Toque em uma faixa para entender o que ela significa
PSTU
Classificação editorial deste site, baseada na atuação NACIONAL do partido no Congresso e no seu programa oficial. Não é dado do TSE e não descreve a pessoa: descreve a legenda pela qual ela concorreu. Em eleições municipais e estaduais, partidos de polos opostos costumam se aliar.
Dados do candidato
- Data de nascimento
- 25/03/1988
- Gênero
- MASCULINO
- Estado civil
- CASADO(A)
- Grau de instrução
- SUPERIOR COMPLETO
- Ocupação declarada
- PROFESSOR DE ENSINO MÉDIO
- Estado de nascimento
- SC
Informações declaradas ao TSE no registro da candidatura, publicadas nos dados abertos da Justiça Eleitoral.
Evolução e Histórico Político
Evolução da Votação por Eleição
Comparativo: Prefeito em 2024 (PARANÁ / PR)
Votação nominal do candidato ao lado dos três mais votados no mesmo cargo, ano e unidade eleitoral.
2026 - GOVERNADOR
PSTU | UF: PR
Votação Obtida: Não apurado (Não apurado)
2024 - PREFEITO
PSTU | UF: PR
Votação Obtida: 569 votos (NÃO ELEITO)
2022 - DEPUTADO FEDERAL
PSTU | UF: PR
Votação Obtida: 214 votos (NÃO ELEITO)
2020 - VICE-PREFEITO
PSTU | UF: PR
Votação Obtida: 0 votos (NÃO ELEITO)
Declaração Patrimonial Recente
Evolução do Patrimônio Declarado
| Ano | Tipo | Descrição | Valor |
|---|---|---|---|
| 2024 | Aplicação de renda fixa (CDB, RDB e outros) | BB LCA | R$ 68.000,00 |
| 2020 | Terreno | Terreno Urbano 385,3m2 em Forquilinha (SC) | R$ 55.000,00 |
| 2024 | Terreno | TERRENO FORQUILINHA | R$ 55.000,00 |
| 2022 | Terreno | TERRENO FORQUILINHA | R$ 55.000,00 |
| 2020 | Apartamento | Apartamento em Criciuma (SC) | R$ 34.732,00 |
| 2024 | Apartamento | APTO CRICIUMA | R$ 34.732,00 |
| 2022 | Apartamento | APARTAMENTO EM CRICIUMA | R$ 34.732,00 |
| 2020 | Caderneta de poupança | Saldo em Conta Poupança Ouro no Banco do Brasil | R$ 13.938,04 |
| 2024 | Caderneta de poupança | Poupança BB | R$ 4.858,67 |
| 2022 | Caderneta de poupança | POUPANÇA BANCO DO BRASIL | R$ 4.265,97 |
| 2024 | Depósito bancário em conta corrente no País | BB CONTA CORRENTE | R$ 2.080,16 |
| Patrimônio total declarado (2020): | R$ 103.670,04 | ||
| Patrimônio total declarado (2022): | R$ 93.997,97 | ||
| Patrimônio total declarado (2024): | R$ 164.670,83 | ||
Prestação de Contas e Gastos
Situação cadastral pública da Receita Federal, via BrasilAPI. Não indica irregularidade na despesa em si, apuração de eventual superfaturamento ou fraude cabe aos órgãos de controle.
Mandato (Gastos CEAP)
Sem despesas de mandato registradas.
Gastos de Campanha
Detalhamento por tipo de despesa
| Tipo de despesa | Total | % |
|---|---|---|
| #nulo 2022 | R$ 0,00 | 0,0% |
| Total geral | R$ 0,00 | 100% |
Maiores fornecedores
| Fornecedor | Lançamentos | Total |
|---|---|---|
| #nulo | 1 | R$ 0,00 |
Receitas de Campanha
Doações declaradas pelo próprio candidato/comitê ao TSE. A existência de uma doação não indica irregularidade, financiamento de campanha é lícito e regulado por lei; consulte o Tribunal Superior Eleitoral para o histórico oficial completo.
Por origem
| Tipo de despesa | Total | % |
|---|---|---|
| Recursos de partido político 2024 | R$ 41.400,00 | 88,7% |
| Recursos de pessoas físicas 2024 | R$ 3.250,00 | 7,0% |
| Recursos próprios 2024 | R$ 2.035,00 | 4,4% |
| #nulo 2022 | R$ 0,00 | 0,0% |
| Total geral | R$ 46.685,00 | 100% |
Maiores doadores
| Doador | Lançamentos | Total |
|---|---|---|
| Direção Nacional | 3 | R$ 41.400,00 |
| Ana Carolina Dos Santos | 2 | R$ 2.500,00 |
| Samuel De Mattos Figueiredo | 2 | R$ 2.035,00 |
| Pedro Henrique Nogueira Giordano | 2 | R$ 750,00 |
| #nulo | 1 | R$ 0,00 |
Projetos de Lei Apresentados
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Presença e Votos em Plenário
Nenhum voto em plenário registrado para este político.
Frequência nas Sessões Ordinárias
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Participação em Comissões e Órgãos Legislativos
Não há fonte pública para este cargo. A Câmara dos Deputados e o Senado publicam a atuação apenas dos próprios parlamentares; as assembleias legislativas estaduais e as câmaras municipais não mantêm base equivalente em formato aberto. A ausência de informação aqui não diz nada sobre a atuação desta pessoa.
Situação do registro da candidatura
| Ano | Julgamento | Teto legal de gasto |
|---|---|---|
| 2026 | AGUARDANDO JULGAMENTO | R$ 11.562.724,00 |
| 2024 | DEFERIDO | R$ 1.416.104.467,00 |
| 2022 | DEFERIDO | R$ 317.657.253,00 |
| 2020 | DEFERIDO | — |
Proposta de governo
Trecho extraído do documento entregue ao TSE, sem resumo nem edição. O texto integral está no arquivo original, pelo botão abaixo.
PROGRAMA DE GOVERNO DO PSTU - PARANÁ
O PSTU apresenta um programa socialista para o Paraná e para o Brasil. Diante da conjuntura atual, faz-se necessário
explicitar que tipo de socialismo e comunismo defendemos, uma vez que, nos últimos anos, o tema voltou ao centro do
debate político de maneira inusitada — e até mesmo cômica.
A visão da direita e da extrema-
direita
Proclamam aos quatro ventos que o comunismo é a principal ameaça ao país. Para eles, o comunismo estaria infiltrado
em todas as organizações de esquerda que governaram boa parte dos países capitalistas nas últimas décadas (no B…
Ler mais do texto
rasil,
por cerca de 17 dos últimos 23 anos, via PT). Estaria presente, ainda, nas teorias dominantes das ciências humanas, nas
universidades, nos meios de comunicação de massa, em organismos internacionais como a ONU e — pasmem — até na
atuação de grandes bilionários e do capital financeiro internacional.
A visão da esquerda da ordem
Entre os grupos dominantes da própria esquerda, no Brasil e no mundo, o comunismo estaria morto e enterrado. Não
passaria de um "fantasma do século passado", ressuscitado como arma retórica e instrumental pela extrema-direita.
A contradição do debate: Para uns, o comunismo é onipresente; para outros, inexistente. No entanto, há algo em comum
nessas duas perspectivas: nenhuma delas diz claramente o que é, a que projeto serve ou o que pretende, de fato, fazer.
Para ambos os campos, a culpa é sempre e unicamente do adversário. Os problemas diários enfrentados pela população
seriam fruto exclusivo do grupo oposto, reduzindo a política a uma disputa rasa: o único objetivo da esquerda passou a
ser "derrotar a direita" — e a conversa se encerra aí — enquanto o único objetivo da direita é "derrotar a esquerda", a
quem rotula de comunista. É como se não houvesse problemas estruturais a superar.
O Socialismo que Defendemos
Nosso programa parte da realidade concreta do estado e do país para responder de imediato às necessidades básicas da
classe trabalhadora, apontando caminhos na direção do socialismo. Queremos que os trabalhadores — aqueles que de
fato produzem toda a riqueza — tenham o direito de se apropriar dela, colocando os grandes meios de produção e a
tecnologia desenvolvidos coletivamente a serviço de toda a população, e não da acumulação de uma minoria.
O socialismo que defendemos não se reduz a palavras ao vento: precisa se materializar em medidas econômicas, políticas
e sociais concretas.
Não defendemos os modelos
de Cuba, China ou
Venezuela
A única coisa que esses países têm
de socialista é o nome dos
partidos que comandam suas
ditaduras capitalistas.
Solidariedade
internacionalista
Destacamos nossa solidariedade
ao povo venezuelano contra a
interferência dos Estados Unidos.
Quem deve decidir os rumos
daquele país são seus próprios
trabalhadores.
Poder popular
Assim como no Brasil e no Paraná,
defendemos que a classe
trabalhadora governe no dia a dia
por meio de conselhos populares.
Apresentamos este programa para
governar com e para a classe
trabalhadora.
1. FUNDAMENTOS E REALIDADE
SOCIOECONÔMICA DO PARANÁ
1.1 Apresentação, Declaração de
Princípios e Independência de
Classe
Este programa de governo representa uma alternativa de independência de classe para as trabalhadoras e os
trabalhadores paranaenses. Diante de governos estaduais e federais que atuam como verdadeiros balcões de negócios
para banqueiros, grandes empreiteiras e o agronegócio, construímos uma candidatura a serviço da mobilização popular e
da reorganização socialista da sociedade.
O Estado não é um árbitro neutro entre as classes sociais; é um instrumento de dominação encarregado de preservar a
ordem capitalista e a propriedade privada. As instituições burguesas (o Judiciário, o Legislativo e os governos) garantem
uma aparência de normalidade à exploração cotidiana. Por isso, a transformação da realidade não virá de alianças com o
grande capital nem de reformas superficiais na estrutura estatal, mas da ação direta e organizada da própria classe
trabalhadora.
1.2 Dependência Econômica,
Formação Histórica e a Ilusão da
Propaganda Oficial
A crise vivenciada pela população paranaense é inseparável da condição de dependência do capitalismo brasileiro. O
subdesenvolvimento não constitui um estágio temporário de atraso, mas a forma de inserção subordinada do país no
sistema imperialista mundial, onde a riqueza gerada pelo trabalho é expropriada pela burguesia nacional e pelo capital
estrangeiro.
O país é levado a expandir a exploração predatória de recursos naturais e humanos para compensar o déficit tecnológico
de sua indústria, reforçando sua posição subordinada nas cadeias globais de valor. Nesse quadro:
O trabalho de maior
qualificação tem sua
remuneração comprimida,
aproximando-se dos pisos
salariais e gerando um
nivelamento social por baixo.
Os trabalhadores de menor
renda mergulham em
condições tão precárias que as
fronteiras entre o trabalho
formal e o informal se tornam
cada vez mais tênues.
A destruição dos serviços
públicos, a falta de creches, o
colapso da saúde, o
encarecimento da moradia, o
envelhecimento populacional e
a informalidade crescente
sobrecarregam as famílias com
o peso da sobrevivência social.
Enquanto o governo estadual gasta milhões de reais em publicidade para vender a ilusão de um "Paraná moderno e
próspero", a realidade do povo é marcada por transporte público lotado, postos de trabalho degradantes, salários de
miséria e sucateamento dos serviços públicos.
Os Dados da Real Contradição Paranaense
R$2.762
Renda per capita real
Renda per capita domiciliar real da
população (PNAD), enquanto o PIB per
capita teórico deveria ser de R$
64.300,00.
22%
Crescimento do PIB
O PIB do Paraná cresceu 22% acima da
média nacional em 2025,
consolidando-se como a 4ª maior
economia do país (mais de 6% do PIB
nacional).
2º
Custo de vida
O Paraná é o segundo estado mais
caro para se viver no Brasil (R$ 780,00
acima da média nacional).
Três despesas básicas engolem mais de 70% do orçamento familiar: Alimentação / Supermercado (31%), Contas de água,
luz e internet (23%) e Moradia (20%).
1.3 A Condição da Classe
Trabalhadora, a Juventude e a
Ilusão do "Empreendedorismo"
A maioria da população trabalhadora do Paraná vive sob forte arrocho salarial e vulnerabilidade:
Massa Salarial Rebaixada
Dados do IBGE mostram que 31% dos paranaenses
ocupados recebem até um salário mínimo e 38%
ganham entre um e dois salários mínimos. Ou seja,
69% da população ocupada sobrevive com até R$
3.000,00 mensais.
Adoecimento da Juventude
A juventude é empurrada para os postos de trabalho
mais precários e insalubres, gerando um surto de
adoecimento físico e mental.
Tecnologia contra o Trabalhador
Sob o capitalismo, os avanços tecnológicos — que
deveriam reduzir a jornada de trabalho — são
convertidos em instrumentos de demissão, arrocho
salarial e intensificação da exploração.
Esmagamento dos Pequenos Negócios
A ideologia liberal do "empreendedorismo" rui diante
da realidade de mercado. Em 2025, das mais de 300
mil empresas abertas no Paraná, 175.370 fecharam as
portas, sendo 98,2% micro e pequenos negócios
(73,8% MEIs e 24,4% MPEs). Embora representem 98%
das empresas do estado e 30% do faturamento, os
pequenos negócios são sufocados pela concorrência
predatória dos grandes monopólios.
1.4 A Concentração do Capital: Os
2% que Controlam o Paraná
Quando propomos a expropriação dos meios de produção, referimo-nos especificamente aos grandes conglomerados
que monopolizam a economia paranaense:
Domínio de Mercado
Apenas 2% das empresas
concentram 70% de tudo o que é
produzido e faturado no território
estadual.
Lucros Bilionários
Apenas cinco empresas (Copel,
Klabin, Coamo, Sanepar e Rumo)
acumularam um lucro líquido de
R$ 12,78 bilhões em 2025. As 50
maiores empresas do estado
lucraram cerca de R$ 25 bilhões no
mesmo período — o equivalente a
quase 30% de todo o orçamento
público do Estado do Paraná para
2026 (R$ 81,6 bilhões).
Monopólios Estratégicos
Agronegócio: Coamo, Lar, C.Vale,
Copacol, Cocamar; Papel e
Celulose: Klabin; Automotivo e
Indústria de Base: Renault, Volvo,
Electrolux, Bosch; Energia,
Infraestrutura e Combustíveis:
Copel, Sanepar, Rumo, REPAR;
Grande Varejo: Grupo Muffato,
Rede Condor, Grupo Boticário.
2. SAÚDE 100% PÚBLICA, GRATUITA E ESTATAL
2.1 A Importância Vital da Saúde e a
Farsa da Propaganda Oficial
A saúde é a condição primária para a sobrevivência da classe trabalhadora. Sem ela, o trabalhador perde a capacidade de
exercer sua função e, sob o capitalismo, fica impossibilitado de garantir o sustento do próprio lar. Embora os
trabalhadores formais contem com o auxílio-doença, o benefício frequentemente demora meses para ser liberado e paga
valores muito inferiores aos salários habituais. A situação é ainda mais dramática para os 30% de trabalhadores
paranaenses que estão na informalidade (dados do IBGE), totalmente desprotegidos de qualquer cobertura previdenciária
em momentos de enfermidade.
Tanto na capital quanto no interior, a população enfrenta o colapso do Sistema Único de Saúde (SUS), revelando o abismo
entre a realidade vivida nas UPAs e hospitais e a propaganda do governo estadual:
Gargalo nos Exames
Especializados
Levantamentos do Conselho
Regional de Medicina do Paraná
(CRM-PR) apontam que o tempo
médio de espera para exames
como ressonâncias magnéticas,
tomografias, colonoscopias,
endoscopias e cateterismos varia
de 6 a 18 meses.
Filas Intermináveis em
Especialidades
O Ministério Público do Paraná
(MPPR) registra esperas médias
de 8 a 14 meses por consultas
em Neurologia, Ortopedia,
Cardiologia, Oncologia e
Oftalmologia.
Represamento de
Cirurgias e Retenção em
UPAs
Mais de 200 mil paranaenses
aguardam na fila de cirurgias
eletivas. Procedimentos
ortopédicos de alta
complexidade (próteses de
quadril e joelho) e cirurgias
vasculares chegam a demorar
entre 1 e 3 anos, segundo a
Secretaria de Estado da Saúde
(SESA). Fiscalizações do Coren-PR
e do MPPR revelam que
pacientes graves permanecem
de 3 a 7 dias internados em
corredores e salas de
emergência de UPAs aguardando
a liberação de leitos pela Central
de Regulação.
2.2 O Sucateamento Programado e
a Privatização via FUNEAS e
Consórcios
O caos na saúde pública não é fruto de incompetência administrativa, mas de uma política deliberada de sucateamento
para favorecer os negócios privados. O governo estadual promoveu um acelerado processo de terceirização e
desfinanciamento da rede própria:
Entrega da Rede
Hospitalar à FUNEAS
Dos 24 hospitais estaduais do
Paraná, apenas 6 permanecem
sob administração direta do
Executivo. As outras 18
unidades foram transferidas
para a FUNEAS (Fundação
Estatal de Atenção em Saúde
do Paraná), uma fundação
pública de direito privado
utilizada como manobra
jurídica para precarizar a
gestão e as relações de
trabalho.
Rotatividade e Contratos
Precários
A contratação por regimes
temporários (PSS, PJs e CLT)
pela FUNEAS rompe a
continuidade de tratamentos
estratégicos em UTIs, oncologia
e pediatria. O déficit na saúde
pública estadual ultrapassa
3.500 profissionais, segundo o
SindSaúde-PR.
Desigualdade e
Desassistência no
Interior
Curitiba concentra 43% de
todos os médicos do estado
(média de 8,83 médicos por mil
habitantes), enquanto no
interior esse número despenca
para 2,16 médicos por mil
habitantes. Para mascarar o
abandono, governos municipais
e estaduais recorrem aos
"consórcios de saúde" —
intermediários que funcionam
como balcões de compra de
cotas em clínicas privadas,
drenando recursos públicos
sem resolver o problema.
2.3 A Crise na Saúde Mental e a
Farra das Comunidades
Terapêuticas Privadas
Diante de uma grave crise de saúde mental que gerou mais de 2,55 milhões de atendimentos na rede pública em 2025
(um aumento de 19%), o governo do estado atua na contramão da Reforma Psiquiátrica e do modelo antimanicomial.
Enquanto os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) operam sucateados e com equipes desfalcadas, o governo estadual
instituted o repasse direto de R$ 10 milhões por ano para financiar vagas em Comunidades Terapêuticas (CTs) privadas e
confessionais. Trata-se do desvio deliberado de verbas públicas da saúde e da assistência social para financiar entidades
de caráter religioso e de isolamento, em vez de consolidar uma rede territorial, pública e comunitária.
2.4 Responsabilidade Fiscal x
Lucros Recordes dos Planos de
Saúde
A justificativa oficial para a falta de investimentos sociais é a manutenção da "responsabilidade fiscal" (reforçada no plano
federal pelo Arcabouço Fiscal). Esse mecanismo limita o orçamento da saúde pública para assegurar o pagamento de
juros da dívida a banqueiros e conceder isenções tributárias aos bilionários.
Isenções vs. Investimento
Em 2025, o governo estadual aplicou apenas R$ 7,95
bilhões em saúde, enquanto concedeu mais de R$ 17
bilhões em isenções fiscais a grandes empresários (o
equivalente a 25% da arrecadação estadual).
A Máfia dos Planos Privados
O sucateamento do SUS empurra a população
trabalhadora ao sacrifício financeiro para pagar planos
privados, impulsionando os lucros das operadoras, que
alcançaram o recorde de R$ 24,4 bilhões de lucro
líquido em 2025 (um salto de 120% em relação a 2024).
2.5 Nossas Propostas para um SUS
100% Público, Estatal e sob
Controle dos Trabalhadores
Para garantir o direito universal à saúde e eliminar o balcão de negócios das operadoras privadas, propomos romper com
a dívida pública, taxar os super-ricos e expropriar as grandes redes hospitalares e de diagnósticos privados, integrando-as
a um sistema único sob gestão dos trabalhadores:
Estatização e Fim das Terceirizações: Defesa do SUS 100% público, universal, gratuito e estatal. Extinção da FUNEAS,
das Organizações Sociais (OSs), das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e dos consórcios privados, reestatizando todos
os hospitais e serviços. Proibição irrestrita da transferência de leitos e recursos públicos para planos de saúde e
operadoras privadas.
1.
Plano de Obras Públicas e Formação Acadêmica: Expropriação dos grandes complexos hospitalares privados e
construção de novas UPAs, Unidades Básicas e Hospitais Regionais para suprir o déficit de atendimento. Destinação de
100% das vagas nas universidades estaduais (UEL, UEM, UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE, UNESPAR) para estudantes
egressos da rede pública, ampliando e incentivando cursos da área da saúde com dedicação prioritária ao interior do
estado.
2.
Concurso Público e Carreira Única: Realização de concursos públicos imediatos para suprir o déficit de mais de 3.500
profissionais. Incorporação de todos os trabalhadores terceirizados e temporários à rede estadual com plano de
cargos, carreiras e salários unificado.
3.
Saúde Mental Antimanicomial: Fim absoluto dos repasses públicos a Comunidades Terapêuticas privadas e
confessionais. Redirecionamento integral de verbas para a ampliação do investimento público nos CAPS, no Serviço de
Residências Terapêuticas e em Centros de Convivência públicos.
4.
Saúde e Direitos Reprodutivos das Mulheres: Garantia de aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS, sem interferência
religiosa ou de setores reacionários. Aplicação do princípio: "Educação sexual para decidir, contraceptivo para não
engravidar, aborto legal e seguro para não morrer".
5.
Saúde Especializada LGBTI+: Atendimento especializado pelo SUS, incluindo acesso imediato à terapia hormonal e à
cirurgia de redesignação sexual com acompanhamento multiprofissional adequado. Ampliação das políticas de
prevenção e tratamento de IST/HIV nas periferias e combate à patologização ou às ditas "curas gays".
6.
Atendimento Integral às Pessoas com Deficiência (PcD): Assistência médica, terapêutica e de reabilitação gratuita,
acessível e de alta qualidade em toda a rede SUS para as pessoas com deficiência.
7.
Saneamento e Soberania Farmacêutica: Integração da saúde pública às políticas de saneamento básico e
distribuição de água potável. Produção estatal direta de medicamentos e insumos médicos estratégicos.
8.
3. SEGURANÇA PÚBLICA SOB CONTROLE DA
CLASSE TRABALHADORA
3.1 A Violência Capitalista e a Dupla Opressão sobre os
Trabalhadores
A população trabalhadora convive diariamente com múltiplas formas de violência: desde aquelas resultantes do
desespero e da miséria social até assaltos, feminicídios, violência contra as mulheres, atuação do crime organizado
(tráfico, facções e milícias) e a violência sistemática praticada pelo próprio Estado contra os bairros periféricos, a
juventude negra e os movimentos populares.
Essa realidade não se reduz a um problema de "falta de policiamento", mas deriva da própria crise e decadência do
capitalismo. O Estado não atua como um juiz neutro entre as classes sociais: ele é um instrumento de dominação
burguesa. A Polícia Militar e o conjunto do aparato repressivo não foram concebidos para proteger o povo trabalhador,
mas para preservar a propriedade privada e garantir a ordem capitalista. Historicamente, reprimem greves, despejam
ocupações urbanas e rurais, perseguem ativistas e transformam as periferias em territórios sob intervenção militar
permanente, enquanto os grandes criminosos colarinho-branco permanecem impunes.
A classe trabalhadora fica, assim, encurralada entre duas forças destrutivas:
O Crime Organizado
Facções, mafiosos e milícias que operam como
empresas capitalistas ilegais, dominando territórios,
impondo o terror e acumulando fortunas.
A Repressão Estatal
Governos que respondem aos problemas sociais com
encarceramento em massa, truculência e execuções,
preservando intactos os grandes interesses
econômicos e a corrupção que sustentam a
criminalidade organizada.
3.2 A Farsa da "Guerra às Drogas" e o Negócio do Crime
O crime organizado atua rigorosamente focado no lucro. Bilhões de reais circulam livremente através da lavagem de
dinheiro e da cumplicidade do sistema financeiro, de grandes empresários e de setores corrompidos do Estado.
A "guerra às drogas" é uma farsa estrutural. Décadas de política abertamente repressiva não reduziram o consumo e
tampouco enfraqueceram as facções; pelo contrário, fortaleceram o narcotráfico, superlotaram as prisões com jovens
pobres e converteram bairros operários em campos de guerra. Além disso, essa lógica alimenta a corrupção policial: a
ligação entre setores das corporações e a criminalidade não reflete meros desvios individuais, mas os imensos interesses
financeiros envolvidos no mercado ilegal.
3.3 A Situação da Base Policial e a Falência do Modelo
Paranaense
Diferentemente dos seus altos comandos, a base das instituições policiais (soldados e agentes) provém da própria classe
trabalhadora, embora seja separada dela e adestrada para reprimir suas lutas. Submetidos a baixos salários, jornadas
exaustivas e assédio, esses trabalhadores sofrem com a privação de direitos democráticos fundamentais.
A falência desse modelo reflete-se com gravidade no Estado do Paraná:
Escalada da Letalidade
Policial
Segundo o Anuário Brasileiro de
Segurança Pública de 2025, as
forças policiais foram
responsáveis por 400 mortes em
2024 (18,4% do total de mortes
violentas do estado). Em 2025,
foram 413 mortes por intervenção
policial, totalizando mais de 2.700
pessoas mortas ao longo dos sete
anos do governo Ratinho Jr. (uma
média superior a uma execução
por dia).
Distorção do Orçamento
Público
Em 2025, Ratinho Jr. destinou R$
6,4 bilhões à Segurança Pública
(13,7% do orçamento do estado)
— valor superior aos
investimentos em Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior e em
Infraestrutura. Mais recursos para
a repressão geraram mais mortes,
sem afetar o poder do crime
organizado.
Epidemia de Suicídios nas
Corporações
Desde 2017, o suicídio é a
principal causa de morte entre
agentes de segurança pública no
Paraná. Sob a gestão Ratinho Jr.,
44 policiais
Eleições Municipais 2024
CONTRA AS ALTERNATIVAS QUE
GOVERNARÃO PARA OS GRANDES
CAPITALISTAS, APRESENTAMOS UMA
ALTERNATIVA PARA A CLASSE
TRABALHADORA ________ UMA
ALTERNATIVA SOCIALISTA E COM
INDEPENDÊNCIA DE CLASSE.
UMA CURITIBA PARA QUEM TRABALHA! _________________________________ 3
POVO TRABALHADOR NO PODER! _____________________________________ 9
SAÚDE PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE (DE VERDADE!) _________________ 13
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, SEM MILITARES E SEM TERCEIRIZAÇÕES! ____________ 20
6 REAIS É ROUBO! MOBILIDADE URBANA DE QUALIDADE, SEM ENGORDAR BOLSOS DA
MÁFIA DOS TR…
Ler mais do texto
ANSPORTES. ________________________________________ 24
CONTRA TODAS AS FORMAS DE OPRESSÃO! _____________________________ 28
CURITIBA TAMBÉM TEM FAVELAS, QUEBRADAS E OCUPAÇÕES! ________________ 35
SALVAR O MEIO AMBIENTE PARA GARANTIR NOSSA SOBREVIVÊNCIA! ____________ 37
UM PROGRAMA RADICALMENTE DIFERENTE PARA COMBATER A VIOLÊNCIA URBANA! 39
A JUVENTUDE NÃO AGUENTA MAIS 6X1 E CALL-CENTER _____________________ 42
TODO APOIO À CRIAÇÃO CULTURAL DOS TRABALHADORES DE CURITIBA! __________ 43
CHEGA DE GENOCÍDIO! ___________________________________________ 44
3
UMA CURITIBA PARA QUEM
TRABALHA!
A cidade em que vivemos tem duas facetas: a primeira, a que vemos na propaganda da
prefeitura, a Curitiba para turista ver; e a segunda, a Curitiba de quem precisa trabalhar para
sobreviver. Neste sentido, a primeira é linda, inteligente, um verdadeiro paraíso. A edificação
desta Curitiba para turista ver se materializa com um investimento milionário em publicidade
e com muita negligência à população pobre e trabalhadora desta cidade.
Por outro lado, temos a Curitiba da classe trabalhadora. Nesta outra face, as coisas já são bem
diferentes. Aqui, a população trabalhadora enfrenta horas em transporte público lotado para
ir e vir do trabalho, saúde e educação precarizadas, faltam vagas nas creches, filas para
realizar procedimentos médicos, empregos precários sem direitos, para muitos a casa própria
ainda não passa de um sonho, aluguel absurdo por conta da especulação imobiliária. Ou seja,
a cidade da classe trabalhadora não tem nada a ver com a propaganda do prefeito Greca
(PSD).
Porém, a dura realidade dos trabalhadores da cidade não é por falta de dinheiro. Podemos
dizer que Curitiba tem uma arrecadação privilegiada. Dos 5.568 municípios brasileiros,
apenas 42 têm a arrecadação originada dos impostos municipais que superam as
transferências da União e do Estado, e Curitiba é uma dessas cidades. De acordo com o IBGE,
em 2020 o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade foi de R$ 83,3 bilhões, o que corresponde a
17,8% do PIB estadual, ocupando a 6ª posição no ranking nacional. A Região Metropolitana
de Curitiba (RMC), composta por 29 cidades, representa mais de um terço da economia
paranaense e registrou expansão do PIB nas últimas décadas, de R$ 35,2 bilhões para R$ 190
bilhões.
Como podemos ver, Curitiba é uma cidade muito rica, mas também muito desigual. Só para
se ter uma ideia, a renda per capita da cidade, segundo o IBGE em 2021, seria de R$ 49.907,02,
mas sabemos que os salários médios passam longe desse número. Tanto é que mais de um
quarto da população (26,9%) vive com menos de meio salário mínimo, o que totaliza quase
500 mil pessoas vivendo com menos de R$ 706,00.
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O prefeito Greca (PSD) e seu vice, Eduardo Pimentel (PSD), postulado sucessor do prefeito,
têm uma política higienista para a cidade e governam para atender os interesses dos grandes
empresários. Por um lado, tentam deixar os problemas longe dos pontos turísticos, e por
outro, despejam boa parte da arrecadação da cidade em terceirizações que beneficiam o setor
privado. Em 2023 foram R$ 2,5 bilhões destinados a terceirizações, mais de 20% da
arrecadação.
Na questão ideológica, se aproximam do bolsonarismo quando lhes convém. Basta ver
declarações do vice-prefeito dizendo que gostaria do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. O
que é um oportunismo descarado. Não temos dúvida de que, se Lula tivesse maior
popularidade, Pimentel buscaria seu apoio, basta ver que o PSD, partido de Greca e Pimentel,
está na base do governo Lula, ocupando cargos em ministérios. E na pandemia, onde
ultrapassamos os 700 mil mortos a nível nacional, apesar da prefeitura não reproduzir o
discurso antivacina, não foi capaz de dizer uma só palavra contra o discurso genocida de
Bolsonaro, e a população pagou o pato com a vida. Sem falar nas medidas completamente
insuficientes para conter a pandemia.
No estado, o governador Ratinho Jr (PSD) segue a mesma linha. São bilhões de isenções para
os grandes empresários e o agronegócio, enquanto se vê um avanço na precarização e
privatização dos serviços públicos. O exemplo mais recente foi a votação do projeto de
privatização de mais de 200 escolas na ALEP e, é claro, não sem repressão e inclusive com
duas prisões arbitrárias. Também podemos lembrar das privatizações das rodovias, inclusive
em parceria com o governo Lula, pois para implementar a concessão era necessário que o
governo federal assumisse a responsabilidade das rodovias. E o pedágio voltou, e voltou caro,
com aumento do número de praças de pedágios. Vale lembrar ainda que Lula, durante a
última campanha eleitoral, fez vídeos dizendo que o pedágio não seria mais de R$ 5,00.
No âmbito nacional, apesar de Lula dizer que prioriza o pobre no orçamento e toda sua
retórica supostamente em defesa dos mais pobres, são os ricos e os banqueiros que têm
prioridade no orçamento do governo que vem atendendo aos bilionários capitalistas, como
vimos com a liberação de R$ 300 bilhões para as grandes empresas (aquelas que faturam
mais de R$ 300 milhões) do setor industrial; os R$ 20 bilhões em isenções no Programa Mover
para garantir os lucros das montadoras; o Plano Safra de R$ 400 bilhões para engordar os
cofres do agronegócio; e a reforma tributária que não diminuiu um centavo dos impostos que
os pobres pagam. Enquanto isso, aos trabalhadores é reajuste zero, cortes de benefícios
sociais, corte de verbas e ataques, como vimos nas recentes greves da educação e do setor
ambiental.
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No âmbito nacional e mundial, vem crescendo a polarização política, como vimos nas
recentes eleições francesas. Nesta eleição municipal no Brasil não será diferente. O debate
político estará atravessado pela polarização Lula e Bolsonaro. Em um contexto onde Lula
governa o país com um projeto capitalista neoliberal social e de defesa da democracia dos
ricos (cada vez menos democrática), e o bolsonarismo faz uma oposição de extrema-direita
com um projeto capitalista ultraliberal e autoritário.
Bolsonaro e Lula têm programas diferentes. A ultradireita defende um projeto de ditadura.
Mas também há diferenças na política econômica. Lula defende um capitalismo social-liberal,
um neoliberalismo com maior presença do Estado para investir ou induzir o crescimento
econômico capitalista – utilizando mais gastos públicos para financiar grandes empresas e
obras – ao mesmo tempo que propõe dar crédito para os mais pobres estudarem ou garantir
os programas sociais que amparem a pobreza, como o Bolsa Família.
Já Bolsonaro e a ultradireita defendem um capitalismo ultraliberal, em que o Estado gaste
ainda menos e, se possível, não gaste nada com serviços públicos, que os ricos paguem menos
impostos e que as forças armadas sejam ainda mais armadas e reprimam ainda mais os
pobres e especialmente as greves e lutas da classe trabalhadora.
Lula e Bolsonaro se apoiam em setores burgueses com enfoques distintos para implementar
diferentes programas igualmente capitalistas. De tal maneira que essa polarização política
do país não expressa uma divisão entre os interesses dos trabalhadores e os interesses dos
bilionários capitalistas. Ao contrário, trata-se de uma polarização entre dois campos que
representam setores diferentes da mesma classe capitalista, ainda que o de Lula busque
ganhar os trabalhadores e o povo pobre para a ideia de que é possível um capitalismo bom.
É diante dessa situação que estamos apresentando nossa candidatura. Vamos apresentar um
programa capaz de responder aos problemas mais sentidos pela população pobre e
trabalhadora da cidade. Um governo apoiado na população organizada em conselhos
populares para decidir o nosso futuro. Pois não existe alternativa para os trabalhadores e o
povo pobre que seja construída em aliança com a burguesia. É preciso apontar uma saída
independente que enfrente os ataques que os governos e grandes empresários fazem contra
a nossa classe e construir um projeto de cidade que sirva aos interesses dos trabalhadores.
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Eleições, uma verdadeira farsa
A democracia burguesa é uma farsa. Na verdade, é uma ditadura da grande burguesia
disfarçada por eleições periódicas. As grandes empresas e bancos controlam as mídias, os
grandes partidos, o parlamento. Financiam os partidos da “situação” e quase a totalidade da
“oposição” e depois controlam seus programas de governo.
Os governos são diferentes, mas os grandes setores da burguesia mandam no governo. O
estado burguês recorre cada vez mais à violência contra as lutas dos trabalhadores e contra
os setores mais pobres da sociedade. Vem daí a criminalização da pobreza e a violência contra
a juventude pobre e negra na periferia das grandes cidades.
As instituições do Estado não estão a serviço de “todos”, nem da proteção do povo. São os
braços armados a serviço da proteção dos interesses dos ricos e poderosos, das grandes
empresas privadas.
A corrupção está presente em todas as instituições. As grandes empresas corrompem
parlamentares, juízes, governos. Os partidos são, muitas vezes, associações de bandidos
interessados no controle das verbas públicas. Nessa “democracia”, os espaços democráticos
são cada vez mais restringidos. Os trabalhadores são impedidos de se organizar nos locais de
trabalho e vivem uma verdadeira ditadura dentro das empresas.
As dificuldades impostas pela lei ao funcionamento dos pequenos partidos de oposição, os
que são ideológicos e independentes dos capitalistas, são cada vez maiores.
Tirar dinheiro e poder dos bilionários capitalistas para o
povo trabalhador ter vez
Toda desigualdade enfrentada pelos trabalhadores da população pobre de Curitiba, do Paraná
ou do país não é apenas reflexo de uma administração que prioriza determinadas áreas em
favor de uma classe ou de problemas de corrupção ou de má administração. Não que isso não
seja um problema, mas toda desigualdade que vivemos nessa sociedade tem raízes muito
mais profundas, tem a ver com a forma como a sociedade se organiza.
Hoje temos uma massa imensa que vive em condições precárias enquanto, do outro lado,
temos uma pequena minoria enriquecendo cada vez mais. Isto é fruto do modo de produção
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capitalista. Este sistema, onde toda a organização da produção tem apenas o objetivo de
lucrar, de produzir mercadorias para colocar no mercado, e não uma produção para atender
às necessidades das pessoas.
A produção não é pensada para resolver o problema da habitação, muito menos para resolver
o problema da saúde ou da educação. Tudo que é produzido na sociedade é produzido pela
imensa maioria dos trabalhadores, ou seja, por milhões de pessoas de uma forma
amplamente coletiva. Porém, toda essa riqueza produzida é apropriada por um punhado
pequeno de pessoas, os grandes bilionários, os donos das fábricas, das terras e dos bancos. É
aí que está a raiz da desigualdade no capitalismo.
E para além de toda desigualdade produzida por este sistema, a produção desenfreada na
busca pelo lucro não poupa nem a natureza. Hoje, o capitalismo coloca em risco as próprias
condições para a existência da espécie humana no planeta na busca de uma acumulação de
cada vez mais riqueza nas mãos de poucas pessoas.
As contradições são cada vez mais gritantes. Enquanto está mais difícil colocar comida na
mesa, sem falar nos milhões de pessoas que passam fome, a nossa capacidade de produzir
alimentos só aumenta. Enquanto milhões trabalham uma vida inteira para ter um teto sobre
suas cabeças, temos milhares de imóveis desocupados a serviço da especulação, ou uma
capacidade de construção mais do que suficiente para resolver esse problema. Enquanto
temos milhões trabalhando em jornadas exaustivas, temos outros tantos sem emprego. As
condições para resolver os principais problemas que afetam a nossa classe estão postas.
Porém, não é falta de recurso ou capacidade tecnológica o problema; é que toda a produção,
as fábricas, as terras estão voltadas para a produção do que dá lucro para enriquecer ainda
mais os bilionários.
Temos um desenvolvimento tecnológico impressionante, porém essa sociedade, o
capitalismo, é incapaz de reverter todo esse avanço em melhores condições de vida para
quem trabalha, para quem produz toda a riqueza que existe no mundo.
Toda riqueza que se concentra nas mãos de poucos é fruto da exploração e opressão dos
trabalhadores. Toda riqueza vem do trabalho humano, que é a única coisa capaz de gerar
riqueza.
Por isso, para nós, não é possível resolver os problemas mais básicos da população pobre e
trabalhadora sem enfrentar os bilionários desta cidade. Não é possível construir uma
alternativa de classe se abraçando com esses setores, governando com e para eles, assim
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como boa parte da esquerda faz, a exemplo de Lula/PT a nível nacional e arrastando outros
partidos como o PSOL.
Portanto, para nós, o socialismo tem a ver com revolucionar as formas como a sociedade está
organizada, ou seja, colocar toda essa capacidade produtiva a serviço de melhorar a vida da
classe trabalhadora e não de enriquecer um punhado de pessoas, muitas vezes herdeiras,
como mostra a última lista da Forbes. Socialismo tem a ver com o controle direto da
população organizada em seus bairros, discutindo e implementando as políticas para
melhorar diretamente suas vidas. Para nós, o socialismo precisa se materializar em medidas
políticas, econômicas e sociais, muito diferentes do que acontece em países ditos socialistas
como China ou Cuba. Isso não tem nada a ver com socialismo; não passam de países
capitalistas sob uma ditadura ferrenha, a única coisa que têm de comunista nesses países é
o nome do partido que oprime a classe trabalhadora.
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POVO TRABALHADOR NO
PODER!
Hoje, os donos das fábricas, dos bancos, das construtoras, dos supermercados são os donos
das cidades e do poder. Nós queremos a cidade nas mãos do povo trabalhador.
Acreditamos que o poder deve pertencer efetivamente aos trabalhadores e ao povo das
periferias, que são a grande maioria da população. São os trabalhadores e trabalhadoras que
devem decidir os rumos da política todo dia, não apenas serem chamados a eleger, em um
jogo de cartas marcadas, políticos que depois fazem o que bem entendem por quatro anos e
sem nenhum controle.
A cidade deve ser controlada por assembleias populares organizadas nos bairros, na periferia,
nos locais de trabalho, na educação, na saúde. Que seja o povo a decidir sobre o que fazer com
100% do dinheiro do orçamento público e vigiar sua aplicação.
A Câmara deve se submeter às assembleias populares. As casas legislativas são hoje um
balcão de negócios da burguesia, governam para atender os interesses de quem financia suas
campanhas. Somos bombardeados com notícias de favorecimento de parlamentares para
aprovar projetos contra o povo. Basta ver o escândalo do presidente da assembleia legislativa
do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), pego em um caso de corrupção, pagou uma multa de R$
700,00 mil reais e nada aconteceu. Essas instituições não atendem aos interesses do povo
trabalhador.
As consultas populares que a Câmara é obrigada a fazer não possuem poder deliberativo. É
comum saber de projetos sobre os quais são realizadas consultas através de audiências
públicas em que o objetivo não é consultar de verdade o povo. Projetos que privatizam e
atacam direitos e que são rejeitados pela maioria da população são aprovados sem nenhum
pudor na Câmara, apesar do cumprimento desse rito legal. Nós queremos ouvir para valer os
trabalhadores e o povo pobre de Curitiba. Deve existir debate público, encontros e
assembleias nos bairros e regiões de toda a cidade que definam o que fazer na cidade.
Defendemos que todos os políticos devem ter mandatos revogáveis e que nenhum político
pode ter salário maior que o de uma professora. Os representantes eleitos pelo povo não
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podem melhorar de vida se o conjunto da classe não eleva sua condição de vida. Em nosso
mandato, apresentaremos um projeto para acabar com a regalia dos políticos e equiparar o
salário de prefeitos, vereadores e secretários ao de uma professora do município. Todos
devem utilizar os mesmos serviços públicos que a maioria da população utiliza, como saúde,
educação e transporte.
Nosso mandato será um ponto de apoio para as lutas e a organização da classe trabalhadora,
dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre, dos bairros populares, da periferia. Tanto
para enfrentar os grandes capitalistas quanto para nos opor aos ataques dos governos Lula e
Ratinho. Estaremos ao lado dos trabalhadores em sua resistência contra as privatizações, em
defesa dos direitos, de salários dignos, de casa para morar, contra a carestia, contra a
violência policial, as opressões machista, racista, LGBTIfóbica, xenofóbica e onde mais a nossa
classe precisar lutar e resistir.
Colocar o orçamento municipal sob controle democrático
dos trabalhadores.
Curitiba teve um crescimento em sua arrecadação total significativamente superior à inflação
indicada pelo INPC. Assim, nos últimos 10 anos (2013-2023), a inflação acumulada (INPC) foi
de 77,34% e a receita cresceu 108,66%, um crescimento real de 31,32% neste período. Caso
consideremos os últimos 4 anos, enquanto a inflação foi de 21,02% (INPC), a receita cresceu
cerca de 38,20%, um crescimento real, portanto, de 17,18%.
Trata-se de um crescimento real não apenas muito superior à inflação acumulada no período,
mas também superior ao PIB do município. Podemos observar que, em 2013, a arrecadação
total da prefeitura de Curitiba correspondia a 7,74% do PIB municipal. Já em 2021, esse
percentual foi de 10,50%. Isso significa que, no período considerado, a arrecadação da
prefeitura cresceu 35,65% em relação ao PIB do município. Esses números mostram que a
cidade possui uma arrecadação privilegiada. Porém, tal evolução da arrecadação municipal
não significou um crescimento dos serviços públicos ofertados à população.
Houve uma diminuição do percentual da arrecadação gasto com os serviços públicos. Até
2017, as despesas com servidores, responsáveis por realizarem todos os serviços públicos
essenciais como educação e saúde, correspondiam a um patamar entre 44 e 46% da receita
corrente líquida. Esse percentual passou para o patamar entre 40 e 42% entre 2018 e 2023.
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Para se ter uma ideia, o espaço existente para investimento sem ultrapassar o limite
prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2023, atingiu a cifra recorde de R$ 1,067
bilhões de reais. São recursos que poderiam ser destinados aos servidores do município em
suas respectivas áreas de atuação, no atendimento da população curitibana. Isso, sabendo
que a LRF é um instrumento utilizado para limitar os recursos públicos em investimentos nas
áreas sociais, para que sobrem mais recursos para serem abocanhados pelo setor privado.
Observando a variação percentual das despesas entre 2015 e 2023, percebemos queda de
investimento em algumas áreas, como em educação (17,90%), urbanismo (46,61%) e
habitação (6,51%). Outros setores encontram-se praticamente estagnados, como o aumento
de 1,50% em segurança ou a saúde com 4,41% de crescimento.
Fica evidente que o setor público e o Estado não atendem aos trabalhadores e
a população, mas ao capital e ao setor privado. Basta ver o montant
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